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Cientistas: há 50% de hipóteses de as máquinas superarem os humanos no trabalho em 2061

Fonte: Público

Daqui a sete anos as máquinas vão traduzir melhor do que profissionais humanos, daqui a cerca de 30 poderão escrever romances e realizar cirurgias complexas, e dentro 120 anos farão qualquer tipo de trabalho na perfeição. Os números são de um inquérito global a 352 especialistas de inteligência artificial em todo o mundo, realizado pelas universidades de Oxford e Yale ao longo de 2016. As conclusões, que já tinham sido parcialmente divulgadas em Maio, foram publicadas nesta quinta-feira.

O objectivo era avaliar quanto tempo falta para se atingir a "inteligência artificial de alto nivel", que é definida no relatório como "o momento em que as máquinas conseguem desempenhar qualquer tarefa, sem ajuda, de forma melhor e mais barata que os trabalhadores humanos". Em média, os investigadores inquiridos acreditam que há 50% de hipóteses de a inteligência artificial ultrapassar a inteligência humana em todas as tarefas nos próximos 45 anos e de automatizar todos os trabalhos nos próximos 120 anos.

Quem trabalha na área prevê que ao longo da próxima década, além da conquista da tradução, as máquinas consigam transcrever discursos na perfeição, recriar qualquer tipo de edifício em peças Lego, e realizar um trabalho académico ao nível do ensino secundário. Já um romance literário complexo – ao nível dos bestsellers do New York Times – será possível daqui a 32 anos, acreditam os inquiridos. É algo que algumas máquinas já começam a conseguir fazer: em 2016, o livro Konpyuta ga shosetsu wo kaku hi (japonês para O dia em que um computador escreveu um romance inteiro) chegou à segunda ronda de uma competição nacional de leitura no Japão.

No total, o inquérito foi enviado a 1634 investigadores. Apenas 21% responderam. O questionário incluia perguntas de resposta aberta e fechada, com os autores a perguntarem especificamente quantos anos faltaria para as máquinas serem capazes de traduzir e dobrar roupa melhor do que um ser humano, e de serem capzes de desempenhar profissões como a de condutor de pesados, cirurgião, caixa numa loja, ou investigador de inteligência artificial.

Além de vencer os humanos em funções intelectuais, os robôs também vão dominar a nível físico. Apesar da dificuldade em construir robôs bípedes, os académicos prevêem que daqui a 12 anos estas máquinas já existam e sejam mais rápidas que os atletas de topo em pequenas corridas até cinco quilómetros. Já a condução autónoma de camiões deve ser possível até 2027, o trabalho em lojas, até 2031, e o trabalho cirúrgico, até 2053.

Estas funções já começam a ser observadas em algumas máquinas. No final do ano passado, um camião de cerveja da Uber conduziu sozinho por autoestradas e, este ano, o software do Google para jogar Go – um milenar e complexo jogo de tabuleiro – ganhou uma partida frente àquele que é considerado o melhor jogador humano do mundo.

 Contudo, os especialistas têm opiniões diferentes sobre o tempo que vai demorar até se alcançar a automação total. Em média, os investigadores asiáticos (a viver dentro ou fora do continente) estimam que demore apenas 104 anos, enquanto para os europeus e norte-americanos a previsão é de 130 anos e 168 anos respectivamente. Apesar destas divergências, os inquiridos concordam que a evolução da inteligência artificial terá um impacto positivo. Apenas 10% acreditam que existirão efeitos negativos a longo prazo, embora 45% achem que se deve investir mais dinheiro em estudos para minimizar os riscos e o impacto da nova tecnologia.

É preciso, porém, algum cepticismo quanto aos números apresentados. A revista de tecnologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, comenta uma versão inicial do estudo de Yale e Oxford com o aviso de que previsões que ultrapassam os 40 anos (como a capacidade das máquinas substituirem cirurgiões de topo) devem ser interpretadas com algumas reservas porque o período é equivalente à vida profissional de muitas pessoas. Ou seja, as alterações não vão afectar quem está actualmente no mercado de trabalho.

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