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Bitcoin recupera de queda após ataque informático a outras criptomoedas

Fonte: Público

A bitcoin está a recuperar de uma queda acentuada que foi registada durante a madrugada desta terça-feira. Depois de o valor da divisa digital mais conhecida do mundo ter ultrapassado os 8 mil dólares (perto dos 7 mil euros) no final da semana passada, caiu mais de 400 dólares (cerca de 340 euros) durante entre as 2h e as 4h de terça-feira. O motivo foi a notícia de um furto num valor equivalente a 26 milhões de euros da Tether, a empresa que criou a divisa digital USDT.

O roubo – que permitiu transferir milhões de USDT para uma carteira da bitcoin – aconteceu a 19 de Novembro, mas a empresa só notificou os seus utilizadores um dia depois. O caso voltou a levantar dúvidas sobre a segurança das transacções de criptomoedas.

Em comunicado, a equipa da Tether admite que “fundos foram removidos indevidamente da tesouraria da Tether de forma maliciosa por um hacker externo”. A Tether conhece o endereço da carteira com as criptomoedas roubadas, mas desconhece o responsável da mesma. O anonimato é uma das principais características das operações com divisas digitais.

Para já, a carteira está a ser monitorizada pela empresa, e os USDT roubados estão numa “lista negra” que os impede se ser trocados por outras divisas digitais ou moedas fiduciárias. O método está a ser criticado entre a comunidade de utilizadores de divisas digitais por ser “pouco transparente” e mostrar que a empresa pode monitorizar e dificultar transacções com carteiras específicas.

Apesar da descida abrupta da bitcoin quando a notícia primeiro saiu, o valor da popular criptomoeda já está a recuperar. Às 13h de terça-feira, 10 horas depois da queda, o valor tinha voltado a ultrapassar os 8 mil dólares.

A volatilidade é uma característica da divida digital. Embora o valor da criptomoeda tenha subido mais de 735% desde o inicio do ano (a 1 de Janeiro, a bitcoin valia cerca de 997 dólares), tem sido um percurso com oscilações. Em Setembro, o valor da bitcoin caiu 32%, de 5000 dólares para perto de 3200 mil dólares (2700 euros). Por detrás dessa queda esteve a ordem do Governo chinês para o encerramento dos serviços de transacção de bitcoins no país e também as críticas do presidente do banco norte-americano JP Morgan, que descreveu a divisa como "uma fraude" apenas útil a "traficantes de droga, assassinos e criminosos".

Além do anonimato, outra das característica da bitcoin e de outras criptomoedas é a sua existência à margem de qualquer regulação, sem envolver bancos ou capital de risco. Apesar de serem vistas como uma ameaça por muitas instituições financeiras (que se preocupam que a falta de regulação facilite esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro), também há quem as apoie.

O Japão já publicou um documento a oficializar todas as transacções com divisas digitais e, no início de Outubro, Lloyd Blankfein, o presidente executivo do banco Goldman Sachs, criticou publicamente a opinião negativa de muitos profissionais financeiros em relação à bitcoin. “As pessoas também estavam cépticas quando o dinheiro em papel substitui o ouro”, escreveu no Twitter. No inicio de Novembro, os analistas da Goldman Sachs também previram correctamente a subida da bitcoin para acima dos 8 mil dólares.

Se o valor da moeda continuar a subir à velocidade actual, mesmo com quedas esporádicas, estima-se que poderá atingir os 10 mil dólares (cerca de 8500 euros) antes do final do ano.

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