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Worten Game Awards 2017

Nos próximos dias estaremos a festejar junto da família e amigos, com mesas recheadas de pratos tradicionais, doces irresistíveis, dúzias de passas, desejos de feliz Natal e bom ano novo.

A Magazine aproveita esta época de balanços para dar vida à segunda edição dos Worten Game Awards. Depois da árdua missão de pôr a subjetividade de parte, damos destaque aos jogos que mais impressionaram em nove diferentes categorias nos últimos 12 meses.

Ready. Set. Go!

 

 

Melhor Jogo de Desporto/Corridas

Tantas vezes conhecidas por serem séries anuais e com lançamento obrigatório, esta é a categoria em que encontramos títulos com maior número de entradas.

2017 foi ano de Forza Motorsport (7) e Gran Turismo (Sport). Os fanáticos dos simuladores de corridas têm poucos motivos para estarem tristes. A qualidade de simulação está lá e o grafismo é de fazer “cair o queixo” – principalmente em Forza a correr na nova Xbox One X – mas não foram capazes de nos deixar absolutamente colados ao comando como Forza Horizon 3 (spin off) conseguiu o ano passado.

Setembro é o mês que todos os anos deixa uma legião de milhões de fãs ansiosos com o lançamento do novo FIFA. Este ano, tal como nos anteriores, criaram-se vídeos, fizeram-se piadas e geraram-se novos memes nas redes sociais. No final do mês saiu o novo título e começaram a surgir vídeos dos primeiros jogadores no mundo que encontraram as cartas mais raras de Ultimate Team.

Hoje, o FIFA é mais do que um simulador de futebol. Também os modos de carreira, os modos multiplayer (principalmente Ultimate Team) e o sentimento de colecionismo fazem parte da experiência intrínseca do icónico jogo da EA Sports.

Este ano, com a Ronaldo Edition, a gigante americana trouxe-nos o título de futebol com melhor grafismo até à data, apurou e afinou a jogabilidade e conseguiu trazer-nos um dos melhores FIFA alguma vez criados. Há mais conteúdo do que nunca para experienciar, e também por isso este prémio é atribuído não tanto para demérito da concorrência – Pro Evolution Soccer – mas pelo mérito da EA no que fez chegar ao seu fiel e apaixonado público.

Vencedor: FIFA 18

(EA Sports / Eletronic Arts)

 

 

Melhor Jogo de Luta

O livestreaming é uma realidade mais do que conseguida e capitalizada no mundo dos videojogos. Aliás, uma das maiores forças para o desenvolvimento desta tecnologia terá sido a necessidade de levar conteúdos em tempo real aos gamers espalhados por todo o mundo. O que poucos sabem é que muito antes da existência do reinado de League of Legends, Counter Strike e Dota 2, já os jogadores profissionais de Marvel vs Capcom ou Street Fighter “faziam as rondas” em torneios que reuniam fãs de todo o mundo. Outros tantos esperavam em casa pelas notícias e vídeos resultantes. O EVO Moment #37 é possivelmente o mais marcante de todos, com mais de 100 milhões de visualizações desde 2004.

Este ano vimos o regresso de Marvel vs Capcom: Infinite e da sétima edição de Tekken que, por maior legado e experiência nos beat-em-ups de ambos, não foram suficientes para superar o mais recente Injustice 2. É um jogo que não deixou pontas soltas: conta com um modo história bem conseguido, um sistema de combate acessível para iniciantes mas muito profundo e com margem de evolução para os veteranos, um elenco de personagens da DC e Mortal Kombat, e um sistema multiplayer muito bem desenvolvido. Injustice 2 consegue o que os restantes nomeados não conseguiram: uma experiência de alta qualidade em todos os campos e modos de jogo.

Chegou a hora de convidar os amigos a virem disputar um combate entre Batman e Sub-Zero, algo que parecia impossível até maio de 2017.

Vencedor: Injustice 2

(NetherRealm Studios / Warner Bros. Interactive Ent)

 

 

Melhor RPG

Sci-fi, medieval, fantasia, steampunk ou até uma mistura de todos. Não há limites para a estória, mundo e personagens que os criadores de Role Playing Games de topo nos apresentam. Esta é a categoria que apresenta dimensões e mecânicas de jogabilidade habitualmente mais criativa e que puxam as barreiras do que é possível fazer a nível técnico com videojogos.

Nos últimos anos temos sido presenteados com verdadeiras “obras-primas”, com especial destaque para The Witcher 3 e as suas expansões. Este ano, tivemos direito a jogar NieR: Automata e Divinity: Original Sin 2. O primeiro, uma aventura que brilha pelo seu mundo bizarro, de origem claramente japonesa mas com uma dimensão ocidental bastante presente. Aposta em camadas complexas de storytelling e diferentes finais para contar toda a sua história, e tira partido de uma jogabilidade que varia entre RPG de ação, bullet hell shooter e platformer em cada missão. Já Divinity, a sequela de uma das maiores surpresas de Kickstarter, abriu-nos portas a um mundo onde a liberdade criativa de encarnar uma personagem absolutamente moldável é resposta a qualquer situação de jogo.

A escolha do vencedor foi difícil entre este último e Persona 5, mas o jogo da japonesa Atlus levou a melhor. A sequela esperada por fãs de todo o mundo mantém viva as suas origens dos tradicionais RPGs japoneses. Isto dá-lhes maior dinâmica, profundidade e, acima de tudo, personalidade. Com um sistema de combate evoluído, uma história conturbada e realmente emocionante, enquanto os alia a um sistema relacional de liceu realmente apaixonante. Este ano, os Phantom Thieves de Persona 5 “roubaram-nos” o coração.

Vencedor: Persona 5

(Atlus)

 

 

Melhor Jogo Indie (Independente)

Com maior ou menor apoio de um gigante, os Indie games vieram para ser em muitos casos, concorrentes sérios a jogos de tanta ou maior qualidade que os grandes players da indústria.

Em 2017 tivemos um longo e árduo debate sobre qual das fantásticas produções independentes premiar. Entre a aventura trágica e incrivelmente tocante de What Remains of Edith Finch e a representação realista e cientificamente apoiada de Psicose de Hellblade: Senua’s Sacrifice, a escolha tornou-se particularmente complicada.

O prémio acabou por recair sobre uma terceira opção. Anunciado e mostrado ao público há mais de 4 anos, o desenvolvimento complicado e preenchido de atrasos de Cuphead levava a acreditar que nunca iria sair da fase de desenvolvimento ou que, a sair, nunca corresponderia às expectativas tão elevadas que criou. Mas saiu, e correspondeu.

Cuphead é um hino ao trabalho de animação e uma celebração dos desenhos animados dos anos 30. Walt Disney ficaria orgulhoso do que a Studio MDHR (apoiada a longo prazo pela Microsoft) trouxe aqui ao mundo. Para além do grafismo espantoso, a jogabilidade perfeitamente apurada, e dos picos de dificuldade capazes de nos levar a “atirar o comando à parede”, são uma homenagem perfeita ao retro gaming. Este é o jogo que vai fazer as delícias de gamers veteranos e mostrar ao mais novos que nem tudo é fácil com um comando na mão.

Vencedor: Cuphead

(Studio MDHR)

 

 

Melhor Jogo de Ação

Num ano que nos trouxe Wolfenstein II, Destiny 2, Prey e Nioh, é clara a missão praticamente impossível de premiar um jogo sem que fiquemos a “remoer-nos” se entregamos a medalha ao estúdio certo.

Mas não tivemos opção se não premiar o regresso à forma de Call of Duty. Em World War II, a lendária saga de shooters não só nos trouxe uma homenagem aos títulos e cenário originais, com uma campanha que há muito tempo não nos deixava tão colados ao assento e a “precisar” de mais. O modo multiplayer gratificante que nos faz regressar sempre com a promessa de progressão e evolução do nosso soldado cria a união perfeita entre modos multi e singleplayer -algo que nenhum dos concorrentes consegue fazer, pelo que se tornou a característica diferenciadora que lhe garantiu o prémio de melhor jogo de ação do ano. Bem-vindos de volta Sledgehammer!

Vencedor: Call of Duty World War 2

(Sledgehammer Games / Activision)

 

 

Melhor Jogo de Estratégia

Estamos a observar um claro renascimento e expansão do amor pelos jogos de estratégia. Os grandes mestres nunca foram “embora”, mas a massificação deve-se muito aos sucessos nos últimos anos de títulos como Starcraft 2 e suas expansões, XCOM, Civilization e Total War.

Esta última saga apresentou-se em 2017 com um dos jogos mais incrivelmente profundos e, ao mesmo tempo, acessíveis e viciantes que a Creative Assembly alguma vez nos trouxe. Total War: Warhammer II constrói sobre o título anterior para nos trazer um jogo tão complexo como é divertido. Tira partido da propriedade intelectual do mundo de fantasia da Games Workshop (Warhammer) para nos oferecer uma jornada. Por mais complexa que esta seja, é nas decisões erradas e nas lutas de poder que aprendemos e nos reerguemos para fazer do nosso império/raça uma história de sucesso.

A produtora mantém o seu estilo: um jogo de estratégia por turnos no mapa mundo e de gestão do império, e batalhas em tempo real que colocam exércitos de centenas de milhares de unidades frente a frente.

Se estratégia à escala mundial e expansionista é algo aliciante para muitos, quando é tão divertida e acessível torna-se irresistível.

Vencedor: Total War: Warhammer II

(Creative Assembly / Sega)

 

Melhor Jogo Multiplayer

Uma das questões mais debatidas dos anos recentes do mundo gaming: a distribuição e venda de jogos em desenvolvimento, conhecidos universalmente pelo termo “Early Access”.

Muitos escondem-se por trás da ideia que, ao venderem jogos a um preço mais baixo durante a fase de desenvolvimento, não só sustentam o projeto, como permitem aos seus consumidores e apoiantes que interajam e tenham uma voz credível enquanto ainda vão a tempo de realizar alterações fulcrais no jogo.

Verdade é que nem sempre é assim e muitos nunca chegam a ser lançados ou a cumprir com as suas promessas. Noutros casos, a experiência é tão inovadora e gratificante que se tornam fenómenos e casos de sucesso que fazem esquecer a concorrência que foi lançada enquanto produto “completo”. Este foi o caso de jogos como ARK, Rust, Divinity: Original Sin 2 e Besieged.

Mas nunca um jogo vendeu tanto, em tão pouco tempo e numa fase de desenvolvimento tão precoce como Playerunknown’s Battlegrounds (PUBG). Com cerca de 26 milhões de unidades vendidas, PUBG é um jogo puramente multiplayer que coloca 100 jogadores numa ilha em modo Battle Royale – é a batalha pela sobrevivência, e o último sobrevivente é o grande vencedor.

O sistema é simples, mas a corrida constante por melhor armamento e  kits de sobrevivência, bem como a tensão constante dos duelos iminentes, são capazes de proporcionar dos melhores momentos de adrenalina que já experienciou.

PUBG é um fenómeno de vendas, jogabilidade e de comunidade, com os maiores streamers do mundo a juntarem-se ao movimento e levando cada vez mais jogadores a aderir à febre. Lançado recentemente na Xbox One, o jogo desenvolvido pela PUBG Corp promete ser um dos maiores sucessos de sempre do gaming. E, tecnicamente, ainda nem foi lançado!

Vencedor: Playerunknown’s Battlegrounds

(PUBG Corp.)

 

 

Melhor Jogo de Aventura (Ação + Plataformas)

Este foi o ano da Nintendo. Não só pelo lançamento inacreditavelmente bem sucedido da sua nova consola, a Switch, mas também pelo line up de jogos que a fizeram acompanhar no seu primeiro ano de mercado.

A lendária empresa japonesa trouxe-nos novos títulos das eternas e grandiosas sagas de The Legend of Zelda e Super Mario, que são não só dois dos melhores jogos do ano (de sempre, até), mas também os dois principais concorrentes a este prémio de melhor jogo de aventura de 2017.

Se Zelda foi dado como o grande concorrente a melhor jogo do ano, Super Mario Odyssey veio questionar essa crença no dia 27 de outubro. O canalizador surge, nesta edição, acompanhado de Cappy, o seuchapéu, que ganhou um protagonismo nunca antes visto por ser capaz de se apoderar do corpo de objetos e seres vivos do mundo de Odyssey. Isto oferece uma variedade de possibilidades de movimentação e resolução de puzzles quase ilimitada, num mundo aberto maior e menos linear que em qualquer outro episódio da série.

A qualidade de Super Mario é sempre uma garantia, mas este ano o icone da Nintendo convidou-nos a uma viagem por mundos apaixonantes, personagens cativantes e a relembrar o seu charme e boa disposição numa aventura que deixará memórias para sempre. Super Mario é uma das incontornáveis personagens do gaming. Será sempre.

“Wahoo!”

Vencedor: Super Mario Odyssey

(Nintendo)

 

 

Melhor Jogo do Ano (GOTY)

A Nintendo foi capaz de provar que quem sabe, nunca esquece. O falhanço assumido da Wii U fazia prever o pior para a empresa nipónica. Em 2015, com a morte de Satoru Iwata, qualquer esperança de recuperação foi gravemente deitada por terra, principalmente para os fãs inabaláveis da marca.

Mas a mente, espírito, alegria, génio e legado do engenheiro e quarto presidente da Nintendo desde 2002, foram deixados nas mãos da equipa perfeita - isso provou-se neste ano que chega ao fim.

A nova consola da marca é mais do que uma grande inovação e sucesso de vendas. A Switch representa os ideais de um gamer nos seus princípios mais básicos. Diversão, acessibilidade, alegria, partilha e união. Esta consola não é uma powerhouse de grafismo, mas compensa com a facilidade de partilha de um comando, com a sua portabilidade, e acima de tudo, com os seus jogos desenvolvidos minuciosamente para tirar partido de toda a tecnologia que está por trás de um ecrã tão pequeno.

Mais do que isso, a Switch é a nova casa da Nintendo. É onde podemos mergulhar e encontrar Super Mario a tentar salvar Peach do castelo de Bowser; é onde podemos entrar em Karts e concorrer com os amigos pela vitória enqanto atiramos bananas e carapaças uns aos outros; é onde podemos acordar Link para o levar uma jornada longa e pela primeira vez, absolutamente aberta, na tentativa de salvar Hyrule e a princesa Zelda.

É neste último que nos focamos. Breath of the Wild, novo título na saga The Legend of Zelda, é o videojogo do ano. É, para muitos, o melhor “Zelda” de sempre e para tantos outros o melhor jogo alguma vez criado.

As opiniões valem o que valem, mas também para nós é um jogo que marca a história dos videojogos e que será recordado como o título de uma geração, da mesma forma que Ocarina of Time (da mesma saga) revolucionou a noção de videojogos em 1998 na Nintendo 64.

Não há palavras que descrevam com plenitude a magia que é controlar Link num mundo totalmente à sua disposição desde o início do jogo. É um mundo que sem qualquer palavra nos agarra, o que nos faz valorizar ainda mais a banda sonora absolutamente magnífica, desde o primeiro momento. A liberdade de movimentação revê-se em todos os aspetos do jogo, desde a capacidade de planar pelo ar, como de escalar qualquer montanha e deitar abaixo qualquer árvore. Mas é também a liberdade que é dada ao jogador na ótica de viver a sua Aventura que marca este título.

É possível terminar a história numa dúzia de horas, mas há tanto para explorar e conhecer, tantos locais e personagens com as quais interagir e tantas mecânicas por descobrir, que somos valorizados por cada passo que damos em cada direção. E não é uma valorização mecânica que faz evoluir a personagem ou progredir objetivamente na missão. É uma valorização humana e cheia de divertimento. Este é um mundo que nos dá tanto quanto damos a ele. Cada hora de jogo transporta-nos para uma história diferente e única para cada jogador.

Breath of the Wild é uma lufada de ar fresco numa época em que os videojogos Open World nos recompensam com a ideia de colecionismo e necessidade de fazer check numa bucket list. Aqui, somos movidos pela inata curiosidade humana de saber o que está por trás daquela montanha, dentro daquela gruta, no fundo daquele lago ou debaixo daquela pedra.

É uma ode a tudo o que um videojogo pode representar na vida de qualquer pessoa. Este é um daqueles jogos que deve pôr nas mãos de quem nunca pegou numa consola. Tudo o resto é autoexplicativo.

Link acordou 100 anos depois para salvar o seu mundo. Mas acordou para salvar também um pouco do nosso.

Obrigado, Nintendo. Até sempre, Iwata.

Vencedor Jogo do Ano: The Legend of Zelda Breath of the Wild

(Nintendo)

 

 

E o vencedor é...

2016 foi dado repetidamente como o melhor ano de sempre para o gaming a nível global e transversal a todas as plataformas. Dificilmente teríamos outro do mesmo nível. E mesmo com a fasquia tão elevada por colossos como Uncharted 4 e Overwatch, arriscamo-nos a dizer que 2017 tem uma palavra a dizer.

Este foi mais do que o ano da Nintendo. Marcado pelo lançamento da Switch e de obras-primas como Breath of the Wild e Odyssey. 2017 foi um ano que deu razões a todos os gamers para se sentirem mais privilegiados do que nunca, em todas as plataformas.

O nível de qualidade altíssimo começa a parecer uma tendência e quem sai a ganhar são sempre os jogadores. Atendendo a esta premissa, entrar em 2018 vai ser ainda maior motivo de festejo.

Boas festas e, como é costume dizer neste mundo: GG!

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