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Worten Game Awards 2016

O final do ano traz consigo de forma geral, uma fase com mais tempo livre e mais dedicada aos pequenos prazeres da vida como descansar, ler, ver os filmes que deixámos para trás ou dedicar-nos a experiências gaming.

É, também, uma fase de retrospetivas e resoluções e a Magazine encontra aqui a oportunidade perfeita para fazer um apanhado daquelas que foram as mais importantes e principais introduções ao mundo do entretenimento virtual.

Na primeira edição dos Worten Game Awards vamos homenagear os jogos que mais marcaram a indústria nos últimos 12 meses, garantindo inspiração para novas aventuras, prendas de Natal ou apenas uma razão para revisitar títulos que não teve oportunidade de terminar durante o ano transato.

Tudo pronto? E os vencedores são…

 

Melhor Jogo de Desporto/Corridas

Na categoria de desporto é fácil encabeçar PES ou FIFA como os principais candidatos à vitória, dada a qualidade da simulação futebolística que apresentam anualmente. Não este ano.

No dia 27 de setembro as atenções foram desviadas para uma viagem às estradas, rios, praias, florestas e montanhas australianas. Forza Horizon 3, desenvolvido pela Playground Games para PC e Xbox One, trouxe-nos toda a qualidade da série Forza para um título que conseguiu unir história, comédia, condução gratificante, personalização de carros e uma integração multijogador fenomenal. Seja para competir, encontrar carros novos ou apenas para explorar os mapas tão variados e relaxar, este não é só um jogo para fãs de corrida, mas para os adeptos de gaming em geral.

Vencedor: Forza Horizon 3 (Playground Games/Microsoft)

 

Melhor Jogo de Aventura (Ação + Plataformas)

Uma das categorias mais “lotadas” de qualidade – ou não fosse a que alberga potenciais vencedores como o novo Hitman, Dishonored 2 e Ratchet & Clank. “Felizmente”, este ano não foram lançados novas edições nas aventuras de Super Mario ou The Legend of Zelda, pelo que a decisão se mostrou ligeiramente menos complicada.

Mas, ainda assim, e entre tantos potenciais (e com tanta qualidade), há sempre um que brilha mais do que os outros. Este ano, Uncharted 4 (como pode ler na nossa review) não só assinalou o fim de uma série de culto, como se destacou perante qualquer membro da competição. Um jogo que dispensa introduções para qualquer fã de gaming e que ficará, certamente, para a história das melhores aventuras virtuais. Mais do que o melhor jogo de aventura, Nathan Drake e companhia protagonizam um dos grandes candidatos a melhor jogo do ano.

Vencedor: Uncharted 4: A Thief’s End (Naughty Dog/Sony)

 

Melhor Jogo de Luta

Mais um ano que é marcado por duelos (quase literalmente) muito renhidos entre os melhores do mundo dos beat-em-ups.

Novos ingressos como Pokken Tournament – que coloca os Pokémon favoritos do público a disputar os combates mais intensos e dinâmicos que a série já viu -, nova temporada de Killer Instinct (season 3) e o regresso dos gigantes King of Fighters (XIV) e Street Fighter (V), a decisão tornou-se muito complicada.

Apesar de tudo, e mesmo com algumas lacunas a nível de conteúdo no dia de lançamento – algo que tem vindo a ser corrigido com o passar do tempo -, é o icónico e eterno Street Fighter que leva a nossa medalha de melhor jogo de luta. Para além do sistema de combate, como já tem vindo a ser hábito, extremamente minucioso, técnico e psicológico, esta é uma saga que atrai milhares de jogadores a torneios e proporciona sempre grandes momentos de tensão e milhões de visualizações em direto. Nenhum concorrente é capaz do mesmo feito e, por isso, Ryu, Ken, Chun-Li e companhia estão de volta e merecem (vão sempre merecer) um lugar na sua coleção.

Vencedor: Street Fighter V (Capcom)

 

Melhor RPG

Um dos estilos de jogos mais populares e procurados pelos gamers, RPGs ganham uma dimensão de subjetividade por estarem, geralmente, “presos” numa narrativa que pode mexer mais ou menos com o jogador. No entanto, e de um ponto de vista técnico e objetivo, a segunda expansão de The Witcher 3, intitulada Blood and Wine (que tem tanta longevidade e horas de jogo como qualquer outro jogo completo) introduz novas histórias, mecânicas e marca o último capítulo daquele que é, a nosso ver, um dos melhores RPGs alguma vez criados.

A história de Geralt vale a pena ser vivida e experienciada por qualquer gamer, não só pelo fantástico sistema de combate e narrativa envolvente, emotiva e negra, mas acima de tudo pela quase ilimitada quantidade de opções que podemos tomar ao longo da série, alterando dramaticamente a história de cada personagem e do mundo. Este é um mundo que realmente conta a história que o jogador quer viver através do protagonista e, apenas por isso, o colocamos à frente de monstros como Dark Souls 3, Final Fantasy XV e Deus Ex: Mankind Divided.

Vencedor: The Witcher 3: Wild Hunt – Blood and Wine (CD Projekt RED)

 

Melhor Jogo Indie (Independente)

Vivemos numa década de sonho para as pequenas equipas independentes que se querem lançar ao lado dos grandes “tubarões”. Jogos como Minecraft e Braid iniciaram todo um movimento de Indie games que são, hoje em dia, alternativas de topo aos títulos mais famosos e com maior poder de promoção.

Este ano, fomos surpreendidos por Inside, jogo da pequena Playdead, a mesma empresa que desenvolveu Limbo. Inside é, na sua génese, um platformer com puzzles e quebra-cabeças para resolver. Mas é um jogo que é capaz de deixar qualquer jogador movido pelo seu ambiente e temas negros, pesados e quase proibidos. A sensação de urgência para salvar a vida do protagonista (um rapaz muito jovem) de mortes agoniantes, sistemas tirânicos e opressão é uma constante, e torna-se uma busca constante por um rasgo de otimismo que tarde em surgir, mas que mantém qualquer jogador absolutamente imerso e agarrado ao ecrã. Inside é uma das maiores surpresas do ano de 2016 e um marco na história dos Indie games, capaz de ultrapassar os fantásticos The Witness, Stardew Valley e Hyper Light Drifter.

Vencedor: Inside (Playdead)

 

Melhor Jogo de Ação

Se algum jogo de 2016 preenche a definição de ação na sua forma mais pura e crua é Doom. O reboot de um dos grandes clássicos dos shooters foi uma aposta ganha pela id Software que conseguiu aqui captar e reunir todas as características que tornaram o original um ícon do gaming, adaptando-os a um motor de jogo moderno.

Ação a cada esquina, um estilo de jogo rápido, perfeitamente calibrado, armas que são gratificantes de disparar e um cenário e adversários que prometem picos de adrenalina com muita frequência. Estas são as características que fazem de Doom uma aventura cheia de atitude e personalidade, que vive mais da ação e exímias mecânicas de jogo do que da narrativa (praticamente inexistente).

Vencedor: Doom (id Software/Bethesda)

 

Melhor Jogo de Estratégia

Um estilo de jogo que costuma passar ligeiramente ao lado do público de massas, mas que continua a fazer sucesso entre grupos específicos (e vastos) de gamers que adoram pôr à prova as suas competências enquanto líderes e estrategas.

Outubro de 2016 trouxe-nos a nova entrada numa das mais influentes e antigas sagas da estratégia por turnos – Civilization VI. Foi difícil tomar a decisão de não atribuir o prémio a um jogo que faz tão bem tudo aquilo a que se propõe, mas a verdade é que 2016 também nos trouxe a sequela de outra saga lendária da estratégia – XCOM.

Depois do sucesso do reboot desta série, em 2012, a developer Firaxis presenteou-nos com uma sequela que enche as medidas de qualquer fã de estratégia a nível tático, personalização e de tensão constante na luta pela defesa do planeta. Há poucas sensações de tristeza e desilusão como as que este jogo consegue reproduzir quando perdemos um dos soldados que nos acompanhou ao longo de tantas missões – e aos quais possivelmente atribuímos o nome e cara de um amigo.

Para todos os bugs e problemas de performance que alguns jogadores encontraram na altura de lançamento, há horas de jogo absolutamente fenomenais capazes de compensá-lo.

Vencedor: XCOM 2 (Firaxis/2K Games)

 

Melhor Jogo Multiplayer

Multijogador é uma dimensão de jogabilidade que atinge, de uma forma mais ou menos importante, quase todos os jogos da atualidade. Em alguns casos é absolutamente necessário para jogar, o caso dos MMORPGs e, noutros, é apenas muito recomendado que a experiência seja online por não ter uma campanha desenvolvida e jogar contra a inteligência artificial não representar todo o potencial de diversão.

Overwatch enquadra-se no último. É um dos grandes lançamentos de 2016 e superou as altíssimas expectativas que quase todos os gamers criaram depois dos trailers dignos de um filme da Pixar. Vindo da Blizzard, era de esperar um produto de qualidade, mas poucos previam tanto sucesso, não só por ser o primeiro shooter da empresa, mas por se tratar de um jogo que veio competir com gigantes dos eSports, como Counter Strike.

 

É, de facto, uma obra de altíssima qualidade pela apresentação gráfica e sonora, jogabilidade afinadíssima e gratificante e integração fantástica com um sistema de competição e progressão muito viciantes. Overwatch é uma obra de arte numa esfera de entretenimento na qual já é muito difícil surpreender e, aqui, a Blizzard não o fez pela originalidade do conceito, mas pela qualidade absolutamente inegável (bem ao jeito a que a empresa nos habituou com outros títulos) do produto.

Este é um jogo que vale mais do que a soma de todas as partes e, sob pena de atribuir três ou quatro prémios diferentes ao mesmo, atribui-se a medalha desta categoria, por ser a mais fraturante de todas as suas qualidades.

Vencedor: Overwatch (Blizzard)

 

Melhor Jogo do Ano (GOTY)

É uma tarefa tremenda ter de selecionar e justificar um vencedor único para este prémio. Será injusto dizer com toda a certeza que qualquer outro jogo, que não este aqui selecionado, é inferior ao Jogo do Ano da Worten Game Awards, mas certamente algum terá de ser aclamado.

Com tantos jogos de qualidade e em áreas tão variadas, acabamos a nossa lista com uma tarefa realmente árdua, Uncharted 4 e Inside são, certamente, marcantes para a história do gaming e principalmente enquanto Jogos de Aventura, ainda que por motivos diferentes, mas 2016 tem apenas um grande vencedor: Overwatch.

Para perceber o sucesso e a grandeza deste título é preciso perceber tudo o que despoletou fora daquele que é o universo alternativo de Tracer, Reaper, Genji e companhia. Overwatch é o marcar de uma posição. É o consagrar da Blizzard enquanto empresa que vive segundo as suas próprias regras, enquanto empresa que molda aquilo que são os standards da indústria dos videojogos, e de uma empresa que consegue atingir tudo aquilo a que se compromete.

 

Contra o ceticismo de muitos críticos e jogadores, a empresa que não lançava, há décadas, um jogo fora do mundo da estratégia e dos RPGs e, muito menos, fora dos universos de Starcraft, Warcraft e Diablo, surpreendeu tudo e todos quando anunciou um novo franchise.

Overwatch nasceu de um projeto falhado com o “nome de código” Titan que nunca chegou a ser lançado e, depois de muitos anos de reformulações e antecipação, se tornou um sucesso tremendo no mundo dos shooters e dos eSports. Este é um jogo que abafou qualquer outro lançamento nos meses em que foi trazido a público, que revolucionou as tabelas de mais vistos e mais jogados das plataformas de live-streaming. É um jogo que já tem direito a torneios com prémios milionários e que tornou jogadores sem qualquer projeção em estrelas de eSports com legiões de fãs.

Overwatch é mais do que a magia que se vive dentro dos campos de batalhas entre personagens tão cheias de vida e história. Todos os documentos, comunidade online e vídeos criados em torno do jogo contribuem para uma experiência diferente de qualquer outra. É um fenómeno que só empresas com tamanha dedicação, visão e talento de topo conseguem criar.

Overwatch não inventou algo incrivelmente original, mas reuniu num universo dentro e fora do jogo, todos os elementos para que os jogadores se sentissem ligados às personagens, ao mundo do jogo e ligados entre si, unidos por esse interesse em comum.

É um jogo que vai estar no topo durante muitos anos, mas 2016 é o ano de Overwatch.

E que ano. E que jogo.


“Heroes never die!”

Vencedor Jogo do Ano: Overwatch (Blizzard)

 

Menção Honrosa

2016 foi um ano fenomenal para os gamers. Um jogo que aqui não foi referido uma única vez e seria, em qualquer outra ocasião, vencedor da categoria de jogo de ação e, quem sabe até, vencedor de jogo do ano, é Titanfall 2. Se em 2014 recebemos o primeiro título que tinha muito potencial, mas alguma falta de conteúdo, para que os jogadores se mantivessem agarrados, em novembro de 2016 foi lançada a sequela em que tudo está mais afinado, evoluído, pensado e estruturado.

Com uma campanha e narrativa muito bem conseguidas, ao nível do melhor que é feito em first-person shooters, aliados a um modo multijogador viciante e com horas de progressão e variedade para que algo novo esteja sempre a acontecer, Titanfall 2 teria tudo para ter mais sucesso a nível de vendas. Infelizmente, foi lançado na mesma semana que Battlefield e Call of Duty, duas marcas muito mais famosas e consagradas de shooters e não teve muitas hipóteses de brilhar. No entanto, é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das melhores experiências a ambos os níveis que qualquer gamer pode ter a sorte de viver.

Melhor jogo que nada ganhou: Titanfall 2 (Respawn Entertainment/EA)

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