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Três admiráveis mundos do gaming

A última década tem registado um acréscimo na qualidade de vida dos gamers em geral. Seja pela distribuição digital, acessibilidade no desenvolvimento de jogos independentes (indie) ou mesmo a facilidade e cultura de comunicação entre empresas e clientes, a verdade é que é praticamente impossível ditar um ano que tenha sido menos bom ou claramente superior que o anterior, a nível de grandes lançamentos de gaming.

2015 trouxe-nos pérolas como The Witcher 3, Bloodborne, Metal Gear Solid V e até Rocket League (para nomear apenas alguns), mas 2016 surpreende-nos a cada mês que passa com títulos de grande qualidade. Hoje, não contamos o tempo que falta para sair o próximo jogo que tanto queremos jogar. Contamos, sim, o tempo que vamos ter para jogar todos os jogos que queremos e vão ser lançados no mesmo mês!

E novembro – um dos meses fortes para o mundo do gaming – conta com três lançamentos especialmente dignos de serem acompanhados, não só por se tratarem de sequelas, mas também por não se saber bem o que esperar de cada um:

  • Será que Call of Duty já deu tudo o que tinha a dar, ou Infinite Warfare consegue revitalizar a série?
     
  • Watch Dogs 2, depois de alguma desilusão em relação ao antecessor – tal foi o hype gerado à sua volta – terá conseguido superiorizar-se?
     
  • Final Fantasy XV, depois de 10 anos em desenvolvimento, corresponde às expectativas?
     

Será que estas sagas regressam em grande, ou aproxima-se o episódio final para alguma? Sem revelar demasiado, vamos mostrar-lhe o que descobrimos.

 

Call of Duty: Infinite Warfare

Sem surpresas, uma das mais bem-sucedidas sagas do mundo dos videojogos está de volta. Dia 4 de novembro trouxe-nos Infinite Warfare, o mais recente episódio da saga de culto Call of Duty (CoD).

Raro será o gamer que nunca teve uma experiência com Call of Duty e, mais raro ainda, será o gamer que nunca ouviu falar da mesma. Apesar de ser uma das séries com maior sucesso a nível de vendas, é, também, uma das séries mais criticadas, precisamente por ter habituado os fãs a lançamentos anuais e ter pouco espaço para inovar e reformular as mecânicas.

Depois do fracasso do antecessor – Call of Duty: Ghosts – que foi, para muitos, o pior de todos os títulos desde 2003, crescia a ideia de que este seria o início do fim do reino de CoD. No entanto, para alívio dos fãs, Infinite Warfare foi desenvolvido com maior atenção ao detalhe e com uma narrativa mais estruturada, resultando em mais um lançamento sólido na coleção Call of Duty.

Como o nome indica, os jogadores podem esperar um contexto futurista e com um sistema de movimentação inspirado nas mecânicas de Titanfall. Jetpacks, correr em paredes e deslizar a grande velocidade não é problema para os super soldados de Infinite Warfare o que, só por si, traz algo de novo e refrescante a todos os momentos de ação e perseguição deste shooter.

Apesar das novidades e da diversão que proporciona (por poucas horas, como é habitual), o modo campanha não surpreende pela história que nos conta, mas prepara o jogador para o grande pilar do sucesso da saga – o modo multiplayer.

 

De forma geral, a Infinity Ward (developer) conseguiu fazer esquecer Ghosts, trazendo para Infinite Warfare o melhor que o multiplayer de CoD consegue oferecer. Estão de volta os modos de jogo que se tornaram icónicos e os mapas (12 no dia de lançamento) jogam na perfeição com as novidades e mais-valias das novas mecânicas. Uns porque sabem “brincar” com o contexto espacial e a falta de gravidade, outros porque estão perfeitamente equilibrados e criam momentos de suspense em qualquer parte do mapa.

Para além disso, o novo sistema “RIG” permite uma maior customização e personalização das classes e soldados de cada jogador, tornando a experiência e caracterização de armamento e acessórios que se levam para combate, cada vez mais única e pessoal. Estas características de personalização e evolução (bem como um novo sistema de “construção” de armamento) oferece toda uma dimensão de jogo de equipa e complemento entre colegas mais profunda e refrescante.

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E por último, aquilo que eleva Infinite Warfare a outro nível. O modo Zombies é, a nosso ver, a principal atração deste título – muito graças ao primeiro (e único até agora) mapa que está à disposição do jogador, Spaceland.

O modo Zombies coloca os jogadores numa missão de sobrevivência em equipa, enfrentando obstáculos surpreendentes e inimigos (zombies de todo o tipo) sucessivamente mais poderosos. Desta feita, o episódio à disposição intitula-se “Zombies in Spaceland”, tendo a Activision (produtora) juntado atores e comediantes americanos para dar voz a cada uma das personagens à disposição dos jogadores. Nomes como David Hasselhoff (que se representa a si próprio), Seth Green e Paul Reubens juntam-se para criar personagens tão surreais como a história – de tom claramente humorístico – em que se inserem.

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O menu dá a entender que futuros DLC (Conteúdo de download) trarão novos episódios, mapas e, quem sabe, novas personagens (e atores) a este modo de jogo e, só por isso, a compra de Call of Duty: Infinite Warfare está praticamente justificada.

No final de contas, o novo episódio desta saga de ação deixou-nos surpreendidos pela positiva e, ainda que esteja longe do seu melhor e mais revolucionário, é uma escolha sólida para adicionar à coleção de qualquer gamer… Para o ano há mais!

 

Watch Dogs 2

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Watch Dogs foi vítima do seu próprio potencial e ambição. Longe de ser um mau jogo, acabou por ficar associado a sensações de desilusão quando chegou às mãos e consolas de todos os jogadores que estavam ansiosamente à espera do lançamento. E eram muitos.

Se houve alguma falta de comunicação e má gestão de expectativas daquilo que eram as mecânicas do jogo, para piorar a situação, os trailers lançados na E3 anterior, e que deixaram tantos jogadores e críticos entusiasmadíssimos, que a Ubisoft garantiu representarem a versão final do jogo, revelaram não ser assim tão “finais”. O jogo que chegou aos sistemas do público apresentava uma qualidade gráfica substancialmente inferior à dos trailers e foi motivo de contestação por parte dos gamers que se sentiam, agora, “traídos” pela empresa à qual deram o seu dinheiro.

 

Primeiro negou que tal downgrade tivesse de facto existido e, mais tarde, veio reiterar que se aconteceu, foi em prol de uma jogabilidade mais aprimorada e fluida.

Toda a comunicação com o público e media foi mal gerida mas, dois anos e meio depois (15 de novembro), a empresa francesa apresentou-nos Watch Dogs 2, a sequela de um jogo que, ainda assim, se traduziu num sucesso de vendas.

Dada a pressão sobre o estúdio que o desenvolveu, este era um título que poderia anunciar o final trágico de uma saga que nunca teria sido, de facto. Felizmente, e contrário às expectativas dos mais céticos, Watch Dogs 2 é o exemplo mais recente de como recuperar a confiança dos seus fãs – um jogo cheio de qualidade e atenção ao detalhe.

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ctOS está de volta, agora na cidade de São Francisco (EUA). Sob a alçada de simplificar as suas vidas, este sistema operativo une toda a cidade e configura uma base de dados de todos os habitantes num mega servidor, sendo capaz de ativamente vigiar e controlar tudo o que cada membro da população faz.

Na pele de Marcus Holloway – que é tudo o que Aiden (protagonista do antecessor) não era: carismático, charmoso e relaxado – e membro da DedSec, um coletivo de hackers que se rebelia contra o conceito de Big Data e a existência da ctOS, o jogador irá percorrer uma história de uma índole muito menos pesada e carregada de jogos políticos do que o anterior título. E ainda bem.

Com personagens mais geeky, diálogos menos sérios subliminares e, de forma geral, um tom mais leve em toda a narrativa, a Ubisoft conseguiu desenvolver uma campanha muito mais cativante e capaz de colar a generalidade dos fãs aos comandos.

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Ao contrário de Aiden, Marcus não está numa missão de vingança, mas numa de conhecer pessoas influentes e uni-las no combate contra a ctOS. Mas, como no primeiro, as capacidades de hacking do protagonista são a sua principal arma contra o sistema que pretende derrotar. Desengane-se, no entanto, que a repetição que se fazia sentir na versão anterior se mantém na nova edição.

Watch Dogs 2 oferece uma experiência que, de forma muito engenhosa, transporta o jogador para um mundo em que as possibilidades são muito mais moldáveis à sua criatividade. Se os objetivos são estáticos e estabelecidos para cada missão, a forma como são cumpridos cabe ao jogador decidir, sendo até possível terminar o jogo sem uma única ação letal.

Com mecânicas reformuladas, uma condução refinada e uma narrativa de grande qualidade e sem medo de ir contra os estereótipos e fugir à norma – o protagonista, por exemplo, é negro e são apresentadas personagens fulcrais com características e traços de personalidade muito originais e raramente manifestados noutros tipos de storytelling –, Watch Dogs 2 é o jogo que o primeiro poderia e deveria ter sido.

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Felizmente, a Ubisoft redimiu-se e 2016, bem como os gamers de todo o mundo, ganham com isso. Um produto de qualidade desenvolvido pela equipa da Ubisoft Montreal e que será certamente uma excelente prenda para adicionar à sua coleção ou à de um amigo. Afinal, o Natal está mesmo a chegar…

 

Final Fantasy XV

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10 anos de desenvolvimento, um pouco mais desde que foi anunciado – na altura sob o título de Final Fantasy Versus. Foi um ciclo exaustivo de atrasos e estipulação de datas mas, para grande felicidade dos fãs de Final Fantasy e de Role-Playing Games (RPG) em geral, foi uma década que valeu a pena esperar.

Final Fantasy XV (FFXV), acabado de lançar, é a mais recente entrada numa das maiores e mais datadas sagas do mundo dos videojogos. É um título que não assume querer revolucionar a fórmula mas que, em muitos aspetos e por necessidade de adaptação às tendências atuais, foge às mecânicas clássicas e que tornaram os seus antecessores ícones do universo gaming.

Uma das primeiras a ser identificada é o facto de o protagonista fazer parte, desde logo, de um grupo pré-estabelecido. Príncipe Noctis e os seus três melhores amigos serão (exceto raras ocasiões) o grupo que acompanhará o jogador durante toda a aventura. Isto poderia ter sido uma das piores decisões da Square Enix mas, felizmente, as quatro personagens nucleares são das mais interessantes, bem caracterizadas e escritas, que a empresa já construiu. Todas têm uma personalidade bem vincada e diferenciadora, que dão vontade de explorar e conhecer melhor – algo inevitável ao longo da demanda pelo universo de Eos.

 

Para além disso, todos os intervenientes, mas principalmente os principais, contam com uma atuação vocal exímia e do melhor que já foi feito para um videojogo, pelo que se tornam personagens orgânicas e credíveis em todos os momentos.

Por oposição aos seus antecessores, que contam com introduções habitualmente longas e construtivas, a ação não tarda a começar em FFXV. Em 10 minutos, somos introduzidos àquela que é uma das mais profundas e maiores alterações num jogo da linha principal de Final Fantasy: o sistema de combate.

O combate por turnos em que o jogador controla a próxima ação de cada um dos membros do grupo é posto de lado e abre portas a uma ‘coreografia’ que acontece em tempo real e com o clique de cada botão – à semelhança de jogos como Assassin’s Creed ou The Witcher. Inicialmente pode até parecer demasiado simples e desenfreado, mas com o passar do tempo e o evoluir das personagens, vão se abrindo possibilidades de combos e habilidades que desenham um sistema de combate muito mais técnico e gratificante.

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O sistema de evolução em si, na “onda” de Final Fantasy XIII, pode parecer confuso e complexo inicialmente, mas rapidamente se toma mão e partido do mesmo. Ao contrário de outros títulos, no entanto, só é possível evoluir os personagens quando descansam numa pousada ou acampamento – não permitindo evoluções a meio de missões e obrigando o jogador a preparar-se devidamente antes de cada aventura.

Final Fantasy XV é mais uma epopeia da equipa japonesa mas, para os que estão cansados de experienciar mundos esotéricos e um enredo global tradicional do bem contra o mal, encontram nesta edição uma escapatória menos “preto no branco”. A forma é contada em vários formatos, mas os principais momentos de destaque vão para as cenas cinemáticas, que se apresentam de forma absolutamente brilhante a nível de composição sonora e gráfica. De facto, é espantosa a forma como os personagens ganham vida, num universo claramente ficcional e tão distante do nosso.

Na ajuda a esta construção de narrativa, os jogadores contam com um mundo e um mapa absolutamente massivo, que parece ter sido construído ao mais ínfimo detalhe. De facto, se há algo que poderia justificar 10 anos de desenvolvimento, seria todo o trabalho que foi feito nesta área. Não há transições súbitas, todos os elementos estão perfeitamente integrados e a funcionar em sintonia, desde a vida animal, às personagens que coabitam o mundo de Eos. Dá a sensação de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento e nos leva a explorar e a querer saber mais.

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E no final, é um épico tipicamente japonês, na medida em que o sabor final da experiência é maior que a soma de todas as suas partes. Há algo que transcende todas as mecânicas de combate, exploração e dimensões de narrativa e as une num produto único que, depois de 10 exaustivos anos de espera, não veio para revolucionar o mundo do RPGs, mas para convidar todos os fãs para uma experiência que será, certamente, das mais memoráveis que vão ter o prazer de viver.

 

A aventura vai começar...

Estas são três sugestões ótimas para lhe fazer companhia durante os meses frios em que sair de casa não é tão frequente. Com tanta ação, história e horas de diversão pela frente terá, certamente, ainda menos motivação para se sujeitar a expor à chuva.

Assim, novembro chegou ao fim, mas as aventuras estão, certamente prestes a começar. Tem de ser rápido, antes que cheguem as de dezembro e o tempo volte a escassear!

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