Review: Final Fantasy XII - The Zodiac Age

voltar

Sex, 11/08/2017 - 09:19

O regresso do que nunca partiu

Lançado no mês de julho e, apenas um mês depois do seu lançamento, pode já dizer-se que o Final Fantasy XII: The Zodiac Age chegou para trazer uma refrescante mudança, face ao seu antecessor, de 2006, para PS2.

A nova versão, remasterizada, põe de lado as modernas e futuristas configurações das versões VII e VIII e a nostalgia animada da versão IX, para um retorno a algo um pouco mais sério, mais bélico e ainda mais épico – com muitas mais espadas e escudos, que motas e metralhadoras.

 

O Final Fantasy XII original foi um ótimo jogo que surgiu na altura errada, acabando por cair no esquecimento.

Agora, este renasceu como Final Fantasy XII: The Zodiac Age, para a PS4, muito mais polido e retocado: os gráficos HD e os pequenos pormenores que foram, meticulosamente, aprimorados, dão a esta versão um encanto que vai, certamente, conquistar antigos e novos jogadores que viajam pelo mundo da Ivalice Alliance.

 


Entra na era da guerra

O pequeno reino de Dalmasca, então conquistado pelo Império Arcaico, foi deixado em ruínas e na incerteza.

 

Dalmasca, o reino sucumbido às forças do Império Arcaico, é o cenário de fundo desta narrativa.

 

Ashe, a princesa do reino e única herdeira do trono, dedica-se à Resistência para libertar o seu país. A esta alia-se Vaan, um jovem que perdeu toda a sua família na guerra e que sonha apenas em voar pelos céus.

 

Ashe furjou a própria morte para liderar, secretamente, a Resistência com a esperança de, um dia, recuperar o seu reino.

 

Numa luta pela liberdade e pelo reino caído, o convite deixado ao jogador é que se junte a estes dois – improváveis – aliados e aos seus companheiros e embarque numa aventura heróica para libertar Dalmasca.

 

Sob o regime opressivo de Império, Vaan mantém uma réstia de esperança ansiando uma vida sem fronteiras e autoridade.

 

A refrescante e terra-a-terra história do Final Fantasy XII: The Zodiac Age, concentra-se nas batalhas das personagens, envolvidas num enredo bélico-político, em vez de uma estereotipada e cataclísmica narrativa “save the universe”, como já é costume nos jogos JRPG.

 

The Zodiac Age traz um enredo político num cenário de guerra, onde os personagens são o verdadeiro ponto de interesse da história.

 

O foco nas personagens e nos seus pequenos, mas relevantes, papéis, emergem na história principal, fazendo com que as várias reviravolas, traições e triunfos do enredo se sintam ainda mais impactantes.

Um mundo de possibilidades a explorar

Enquanto a história é linear, o mundo é semi-aberto e permite que grande parte do mapa seja explorada, ainda que com algumas restrições. Viajar fora do caminho principal pode trazer recompensas, tesouros e equipamentos de alto nível e, ao mesmo tempo, o risco é superior, havendo a hipótese de entrar em território de monstros que podem, facilmente, acabar com a diversão.

 

Os novos License Boards forçam o jogador a dar a cada personagem um propósito distinto enquanto joga.

 

Quanto aos combates, estes ocorrem diretamente no mapa: uma variação bastante interessante nas batalhas em real-time que, noutras versões da franquia, eram conduzidas a partir de um menu. Aqui, o jogador só consegue controlar um membro da Resistência de cada vez, enquanto as outras personagens são controladas pelo CPU.

 

Os Gambits permitem pré-programar comandos nas personagens controladas pelo CPU, permitindo que estas não atuem de forma errada

 

Na versão The Zodiac Age do Final Fantasy XII foi habilmente solucionado um problema de muitos outros jogos RPG: quando os membros controlados pelo CPU não se comportam como deviam ou como o jogador queria que se comportassem. Nesta versão é possível pré-programar comandos – os chamados “gambits” – de modo a indicar às personagens como devem agir em certas situações. Por exemplo, pode pré-programar-se um dos outros aliados da Resistência para usar itens e feitiços de cura quando o resto dos aliados são afetados ou sofrem alguma enfermidade.

 

Final Fantasy XII: The Zodiac Age foi polido e aprimorado: remasterizado com gráficos de alta definição e grande detalhe em pequenos pormenores.

 

No original Final Fantasy XII, todas as personagens podiam desbloquear quaisquer habilidades disponíveis no License Board, o que tornava as distintas personagens bastante similiares, ao longo do tempo. Agora, com os renovados License Boards, cada personagem pode escolher dois License Boards – de um total de 12 – que correspondem a classes como Knight ou Black Mage, em que cada uma possui um conjunto de habilidades muito mais limitadas e especializadas.

Este pequeno grande pormenor vai fazer com que cada elemento tenha um propósito distinto no jogo, tornando a equipa muito mais especializada e completa.

Uma deslumbrante remasterização

A alteração mais gritante neste Final Fantasy XII tocou à revisão visual que, embora seja apenas uma remasterização de textura de alta resolução e não um remake completo em HD, a versão The Zodiac Age é incrível: cheio de paisagens deslumbrantes, criaturas fantásticas e detalhes exímios – um bom testemunho do que foi a arte gráfica do jogo original.

 

Os cenários deste jogo são brutais: desde os detalhes, às cores, passando pelos pormenores e a definição das linhas dos equipamentos e feições das personagens.

 

Embora a maioria das adições e melhorias sejam muito boas, ficaram, ainda, algumas coisas para melhorar, como problemas de interface, que já era possível encontrar na versão original, de 2006. A função de aceleração, por exemplo, é agradável, mais ainda assim continua a ser uma tarefa difícil chegar a um determinado local, percorrendo uma grande cidade – seja a que velocidade for.

A Fénix dos videojogos

Mais uma vez, a franquia Final Fantasy leva qualquer gamer de RPG além da imaginação, permitindo, neste novo Final Fantasy XII: The Zodiac Age, que o jogador se mova perfeitamente entre a exploração do terreno de jogo e o campo de batalha.

As personagens atuam de acordo com um complexo sistema de ações e reações que o jogador determina e, enquanto estas lutam, ganham pontos de licença, que podem, depois, ser gastos de modo a ampliar os seus conhecimentos de magia, bem como melhorar as suas skills de ofensiva e defensiva.


9 Pontuação

Jogo PS4 Final Fantasy XII - The Zodiac Age


Prós

  • Remasterização HD
  • Gambits de controlo das NPC
  • Jogabilidade melhorada
  • Exploração gratuita de um mundo enorme e atrativo
  • Combate rápido e viciante
  • Construção e caracterização das personagens


Contras

  • Sem atividades extra
  • Algumas das falhas originais permanecem por corrigir

Veredito

Final Fantasy XII: Zodiac Age é o regresso de um jogo que marcou pela diferença e pela sua extrema qualidade quebrou com imensos moldes na série.

Esta versão, lançada a 11 de julho, é na verdade um competente remaster que consegue demonstrar o quão atual este jogo permanece no seu todo.

Ainda hoje, este é e será o marco de um momento incrível na história dos JRPGs.

DESEJA APAGAR ESTE POST? SIM NÃO